Brasil: Chuvas de meteoritos no sertão de Pernambuco
- Adeildo Velôso da Silva
- 8 de set. de 2020
- 2 min de leitura
A chuva de meteoritos registrada em Agosto deste ano no município de Santa Filomena, no sertão pernambucano, atraiu a presença de diversos pesquisadores e colecionadores de objetos espaciais. Desde então, uma verdadeira busca pelas "pedras" foi iniciada.

Primeiro, um rasgo de luz no céu como um cometa. Aí, de repente, caem rochas por tanto canto a ponto de encher a cidade de pedras. A maioria é pequena, mas algumas são grandes, do tamanho de um recém-nascido. A maior encontrada até agora pesa 38 quilos. Parece cena de filme, mas foi assim a queda de meteoritos em Santa Filomena, no Sertão do Araripe, município de 6.906 habitantes a 710 km do Recife.
A “chuva” propriamente dita foi registrada no dia 19 de Agosto. Os fragmentos caíram muito rápido no solo. Segundo relatos, alguns atravessaram telhados e copas de árvore, mas ninguém se feriu. Esse foi o terceiro fenômeno desse tipo na região em pouco mais de um mês. O primeiro ocorreu em 16 de Julho. O segundo, em 14 de Agosto.
“É raro acontecer assim em lugares tão próximos e em tão pouco tempo, mas é coincidência”, diz o diretor técnico da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), Marcelo Zurita. Para ele, o caso de Santa Filomena chamou mais atenção por atingir uma área urbana. “Por exemplo, o de Julho foi bem grande, mas a provável área de dispersão dele foi na zona rural, com menos gente”.
Os fragmentos vêm de asteroides que transitam no espaço e acabam colidindo com a atmosfera terrestre. “A atmosfera da Terra funciona como um escudo. A resistência do ar vai aquecendo o ar em volta e as pedras, desintegrando completamente essas rochas espaciais que atingem a Terra com frequência”, explica Zurita. Segundo Adalberto Tavares da Silva, técnico do Laboratório de Astronomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), esses minerais são de valor inestimável para a ciência. “É através da coletiva e da análise que nós compreendemos o material que formou o Sistema Solar. E é importante também para entender o futuro e fazer algum tipo de previsão de onde ele pode cair”, afirma.
Além das pesquisadoras, colecionadores particulares, inclusive de outros países, estão em Santa Filomena com objetivos particulares de adquirirem as peças, e se aproveitam do baixo conhecimento científico dos moradores locais e da economia da cidade baseada na agricultura, para negociarem. Enquanto isso, pesquisadores pernambucanos lutam para conseguir que parte dos meteoritos fiquem na região, para preservar o valor histórico e turístico da chuva.
No Brasil, não existe uma legislação específica para a posse de um meteorito, nem regulamentação sobre seu comércio. Em Santa Filomena, os que caíram em locais públicos, como a Praça da Matriz, ficaram com quem achou primeiro.





Comentários