Grécia: Relacionamento piora cada vez mais com a Turquia
- Adeildo Velôso da Silva
- 31 de ago. de 2020
- 2 min de leitura
Grécia vai construir nova cerca na fronteira com a Turquia, para reforçar a vigilância da fronteira terrestre com a Turquia e evitar a passagem de migrantes, anunciou hoje o Governo, num momento em que as relações bilaterais pioram a cada dia.

Em 1º de Agosto, um navio de guerra turco e um grego chegaram a ficar perigosamente próximos no Mediterrâneo Oriental. A França enviou navios de guerra para ajudar Atenas. Assim, três países que, na verdade, são parceiros na Otan, estavam envolvidos nesse impasse.
Na quarta-feira (26), o governo grego anunciou que faria uma manobra de três dias com França, Itália e Chipre. Pouco depois, segundo informações de Ancara, dois navios de guerra turcos realizaram um exercício militar com um contratorpedeiro americano.
A disputa pelas reservas de gás natural no leste do Mediterrâneo ferve há meses. A última escalada alarmou a UE. A Alemanha, como atual ocupante da presidência do Conselho da UE, tenta mediar: “Ninguém quer resolver este conflito militarmente”, disse o ministro do Exterior alemão, Heiko Maas, após conversas com os dois governos.
A origem do conflito remonta a quase cem anos. Após a Primeira Guerra Mundial, o território da Turquia foi estabelecido em 1923, através do Tratado de Lausanne. O Estado sucessor do Império Otomano perdeu todas as ilhas do Egeu para a Grécia. Desde então, Atenas e Ancara disputam a zona econômica exclusiva entre as ilhas gregas e a costa turca.
Com a construção da nova cerca e o arranjo da antiga, a Grécia espera tornar muito difícil para os migrantes cruzarem as fronteiras com a Turquia.
No final de Fevereiro, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou a abertura de fronteiras do seu país com a União Europeia e convidou dezenas de milhares de refugiados e migrantes e irem para a Europa através da fronteira greco-turca.
Durante cerca de 20 dias, e no meio de uma guerra verbal entre os dois países, dezenas de milhares de migrantes entraram em confrontos com a polícia e o Exército grego, que os repeliram com uso de gás lacrimogéneo e armas de fogo.
De acordo com Jrisojoidis, entre 28 de Fevereiro e 28 de Março, 59 mil pessoas foram impedidas de entrar ilegalmente na Grécia. Os confrontos resultaram na morte de dois migrantes, enquanto centenas ficaram feridos.
O Papa Francisco pediu este domingo diálogo construtivo e respeito pela legalidade internacional para resolver a situação no Mediterrâneo oriental, que opõe há meses a Grécia e a Turquia.
“Sigo com preocupação a situação no Mediterrâneo oriental, repleta de focos de instabilidade”, disse Francisco no final da oração dominical do Angelus, na praça de São Pedro, no Vaticano.
No curto prazo, a situação poderia ser neutralizada por meio de movimentos políticos, como a integração dos turcos ao EMGF. No médio prazo, entretanto, apenas uma rodada internacional de negociações sobre reivindicações de direito marítimo na região ajudará.





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