Rússia: Testes indicam eficácia da vacina para Covid-19
- Adeildo Velôso da Silva
- 5 de set. de 2020
- 2 min de leitura
Publicado na "The Lancet", estudo com 76 voluntários mostra desenvolvimento de anticorpos e nenhum efeito colateral sério. Pesquisadores russos reconhecem necessidade de testes adicionais para maior segurança.

A vacina da Rússia para a Covid-19 não teve efeitos adversos e induziu resposta imune, indica um estudo com resultados preliminares publicado na revista científica "The Lancet", uma das mais importantes do mundo, nesta sexta-feira (4). Os cientistas russos reconheceram a necessidade de mais testes para comprovar a eficácia da vacina.
Chamada de "Sputnik V", a imunização foi registrada no mês passado na Rússia, mas a falta de estudos publicados sobre os testes gerou desconfiança entre a comunidade internacional.
Os resultados dos dois testes, conduzidos nos meses de Junho e Julho deste ano e que envolveram 76 participantes, apontaram que todos os voluntários desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus e nenhum efeito colateral grave, segundo o estudo.
A Rússia havia licenciado a vacina para uso doméstico em Agosto, foi o primeiro país a fazê-lo e antes que quaisquer dados fossem publicados e sem a conclusão de todas as fases de estudo, que inclui um teste em grande escala.
"Os dois testes de 42 dias, com 38 adultos saudáveis, não encontraram nenhum efeito adverso sério entre os participantes e confirmaram que a vacina provocou nos candidatos uma resposta de anticorpos", afirma o estudo. "Ensaios grandes e de longo prazo, incluindo uma comparação com placebo, e monitoramento adicional são necessários para estabelecer a segurança e eficácia em longo prazo da imunização."
Mas como o resultado publicado pela prestigiada The Lancet, e com o início nesta semana de uma nova e duradoura fase de testes que visa contar 40 mil participantes, Moscou aproveitou para cutucar os críticos.
"Com esta publicação, respondemos a todas as perguntas do Ocidente que foram feitas diligentemente nas últimas três semanas, francamente com o objetivo claro de manchar a vacina russa", disse Kirill Dmitrev, chefe do Fundo de Investimento Direto Russo (Rdif), o fundo soberano da Rússia, que apoiou a produção da vacina.
"Todas as caixinhas estão marcadas", disse Dmitrev. "Agora, vamos começar a fazer perguntas sobre algumas das vacinas ocidentais." Dmitrev comunicou que pelo menos três mil pessoas já foram recrutadas para o teste em grande escala da vacina Sputnik V. Os primeiros resultados são esperados para Outubro ou Novembro deste ano.
Denis Logunov, um dos desenvolvedores da vacina no Instituto Gamaleya, explicou que a Sputnik V usa uma dose forte o suficiente de Ad5 para suplantar qualquer imunidade anterior, sem comprometer a segurança. A dose de reforço, baseada no mais raro adenovírus Ad26, fornece suporte adicional porque a probabilidade de imunidade generalizada a ambos os tipos de adenovírus na população é mínima, acresecentou.
A Rússia disse que espera produzir entre 1,5 milhão e 2 milhões de doses por mês da vacina Sputnik V até o final do ano, aumentando posteriormente gradualmente a produção para 6 milhões de doses por mês.





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